Lucille Clifton-
Perigo é uma situação ou circunstância ameaçadora; aquilo que pode provocar mal ou dano. Escrevendo aos coríntios Paulo alista oito causadores de perigos experimentados por ele em seu ministério apostólico, ou seja, ele esteve "... em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos (2 Co 11.26).
Os perigos entre falsos irmãos não estão colocados no final da lista por acaso. “Dentre todos os perigos que ameaçaram a Paulo, talvez esse tenha sido o mais insidioso de todos, porquanto ameaçava destruir todo o fruto dos labores do apóstolo, não ameaçando meramente o seu bem-estar físico”.[1] Quem eram para Paulo os falsos irmãos? Entre tantos estão especialmente os judaizantes, aqueles que queriam mesclar o evangelho de Jesus com as práticas cerimoniais e legalistas do judaísmo.
Como o apóstolo Paulo definia esses falsos irmãos? Escrevendo aos gálatas ele diz: “Contudo, nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se. E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temosem Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão; aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós” (Gl 2.3-5; cf. At 15.1,2).
No entanto, o conceito de “falsos irmãos” é amplo. Diz o salmista: “Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus” (Sl 55.12-14). E ainda: “A sua boca era mais macia que a manteiga, porém no coração havia guerra; as suas palavras eram mais brandas que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas” (Sl 55.21).
O Novo Testamento nos dá vários exemplos de falsos irmãos. Temos o caso de Judas Iscariotes que nunca levantou suspeitas entre os discípulos, porém, desde o princípio Jesus sabia quem era o filho da perdição. Falso irmão é assim: dissimulado e capcioso, escorregadio como sabão, mas depois ele cai na própria rede que armou para os outros. Aos presbíteros da igreja de Éfeso Paulo disse: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (At 20.29,30).
Lembramos ainda de Ananias e Safira que fingiram ser fiéis ofertantes, todavia, foram desmascarados pelo apóstolo Pedro. A história da Igreja está repleta de exemplos de falsos irmãos. Faltaria espaço aqui para alistar tanta gente de mau caráter. Basta mencionar o caso de Nicolas Durand de Villegaignon, conhecido como o Caim das Américas que, em meados do século XVI, pouco tempo depois de participar do primeiro culto evangélico em solo brasileiro, perseguiu e matou os cristãos que para cá vieram, seus próprios conterrâneos franceses.
Antigamente um falso cristão era distinguido principalmente por abraçar uma falsa doutrina, como no caso de Ário, que no início do século IV negava a divindade de Cristo e foi desvelado pelo Concílio de Nicéia. Hoje o falso irmão é ainda mais dissimulado, pois aparentemente ele aceita as mesmas doutrinas do verdadeiro cristão, contudo, trabalha nos bastidores para desestabilizar a igreja. Seu alvo não são as verdades da fé cristã. São pessoas. Qual o pastor que nunca se deparou com alguém desse tipo, que se aproxima sorrateiramente como amigo, às vezes chama a gente de amigo, mas depois que consegue as informações necessárias da nossa própria boca distorce nossas palavras para nos derrubar? Quantos irmãos e irmãs queridos foram objetos da maledicência, inveja e ciúme desse tipo de gente, e muitos até hoje sofrem por isso?
Ouvi de um ilustre pregador a seguinte verdade: “Quem é de Deus não vive para atormentar a vida dos outros!”. Você já parou para pensar no quanto de maldade existe dentro das igrejas? Do quanto se mente no momento de louvor e cânticos espirituais? Já notou quantos estão lá na frente ministrando e cantando, mas não cumprimentam aquele irmão ou aquela irmã porque não admitem ser admoestados? Dos que falam e oram bonito e, entretanto, estão cheios de ressentimento no coração e faltosos do amor divinal? Já parou para pensar nas famílias de colegas que estão passando dificuldades simplesmente porque os “irmãos” não os querem mais? Notou quanta desumanidade existe no meio do povo de Deus? De quantos se aproximam de inocentes com um sorriso no rosto, fazem mil elogios pela frente e por trás expelem veneno contra aqueles que são mais justos do que eles?
Qual a razão disso tudo? É que as nossas igrejas estão (algumas mais, outras menos) impregnadas de falsos irmãos. Esses falsos irmãos muitas vezes são pessoas influentes, inteligentes e formadoras de opinião que contaminam em certa medida os bons e causam mal estar no corpo de Cristo, a igreja. Para Paulo, estar entre falsos irmãos era estar em constante perigo. Contudo, aquele que está na verdade e permanece fiel em Cristo Jesus é protegido e abençoado pelo Senhor como foi o apóstolo Paulo. Quanto aos falsos irmãos, o fim deles é a condenação eterna.
"Quando Eu oro algo vai acontecer"
Sem arrependimento,não haverá Avivamento
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